Mestre da Voz Rouca

Traços Biográficos

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MESTRE MANUEL CABANAS
O Homem e o Artista


Actividade política regional
Manuel Cabanas teve um papel preponderante na Oposição ao regime, no Barreiro. Por um lado, organizando e intervindo em diversas sessões públicas de esclarecimento, por outro, como testemunha de presos políticos, tendo ido muitas dezenas de vezes depor ao Tribunal.
As retaliações do poder político foram fortes sobre Manuel Cabanas. Perseguido, vítima de interrogatórios e investigações por parte da PIDE, preso por diversas vezes, essas retaliações acabaram, naturalmente, por se reflectir, de uma forma muito negativa, na sua vida privada.
Por um lado, no campo profissional, ao serviço da CP, foi coagido a manter-se vinte e três anos na mesma categoria profissional, quando, por norma, deveria ser promovido de quatro em quatro anos, e acabou vítima de reforma compulsiva, com um montante pecuniário muito inferior ao devido.
Por outro, a perseguição desencadeada pelo regime estendia-se ao seu próprio círculo de convívio. Saído de prolongados períodos de reclusão forçada, Manuel Cabanas, ao entrar, por exemplo, no café que habitualmente frequentava, muitas vezes sentiu o peso do silêncio e do temor que a sua presença despertava no ambiente. E, ao sentar-se à mesa, algumas vezes também viu homens cabisbaixos levantarem-se das suas cadeiras e saírem silenciosamente com receio das represálias da polícia política.


O docente
Em 1964, Manuel Cabanas é convidado pelo director da Escola Industrial e Comercial Alfredo Silva para docente daquela escola. Mas, em 1968, numa das últimas reuniões do Conselho de Ministros presidia por Salazar, é demitido das suas funções de docente, ao abrigo do decreto 25317, de 13 de Maio de 1935, como indesejável e “contrário aos altos interesses do Estado”.


O artista / o Museu Manuel Cabanas
A partir de 1938, Manuel Cabanas deu início a uma intensa actividade artística no campo da gravura em madeira, encetando uma ruptura abrupta com as técnicas tradicionais de gravação.
Mestre de si mesmo, Manuel Cabanas produziu um gigantesco e valioso património para o seu país, ainda que talvez não tão divulgado como merece.
Chegado aos 70 anos, sem filhos e não desejando que a sua colecção se dispersasse, resolve legar, com sua mulher, por escritura pública de doação, à sua terra natal, o seu espólio artístico, com a condição expressa de com ele ser criado um museu onde estivesse permanentemente patente ao público e ao serviço da comunidade. A sua vontade foi cumprida e a sua obra artística, ficou acessível no Museu Municipal de Vila Real de Santo António. Transferida do edifício dos paços do Concelho de Vila Real de Santo António para o Centro Cultural António Aleixo, onde está presente a maior e mais completa colecção de gravura em madeira de Portugal.



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