Mestre da Voz Rouca
Traços Biográficos
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MESTRE MANUEL CABANAS
O Homem e o Artista
Ferroviário e sindicalista
Filho de modestos proprietários agrícolas, também naturais de Vila Nova de Cacela, Manuel Cabanas fez a instrução primária e dedicou-se aos trabalhos do campo como forma de ganhar o pão do dia-a-dia.
Em 1920 arranjou emprego como factor nos Caminhos-de-ferro. Dois anos depois fixou residência no Barreiro, continuando ligando à CP. Aí desenvolveu cargos e funções no Sindicato dos Ferroviários do Sul e Sueste, uma das maiores forças sindicais e políticas do país, mobilizando a classe para a defesa dos seus direitos, nomeadamente, o que na altura era considerado um delito subversivo pelo fascismo, a inscrição das classes trabalhadoras nos cadernos eleitorais, a fim de cumprirem o direito cívico do voto.
Em 1927, por ocasião da Revolução de 7 Fevereiro, por fazer parte da Comissão Revolucionária local, é preso pela primeira vez.
Actividade social
Convivendo de perto com a penúria, o sofrimento e a repressão que assolou o país durante o regime fascista, Manuel Cabanas envolve-se na realização de obras inadiáveis de melhoramento social da classe dos trabalhadores.
A destacar:
De 1924 a 1930, Mestre Cabanas faz parte da direcção do Asilo D. Pedro V, no Barreiro, uma instituição muito pobre, onde consegue melhorias notáveis no equipamento e nos serviços.
Durante dezoito anos desenvolve grande actividade em prol da Comissão Nacional de Assistência aos Tuberculosos, que lhe valeu nova prisão.
Actividade cultural
Em 1941 faz parte de direcção do Clube 22 de Novembro do Barreiro, onde é desenvolvida intensa actividade cultural, a destacar: criação de um curso de desenho artístico para trabalhadores, com aulas nocturnas, donde saíram diversos artistas locais, e que acabou encerrado por ordem do Governo Civil de Setúbal. Criado um quinteto de música de câmara, com músicos todos barreirenses, o qual dava mensalmente um concerto denominado “Tarde Cultural”, normalmente precedido de palestras por diversas individualidades conhecedoras de música e dos autores a serem interpretados.
Mestre Cabanas teve importante acção como dinamizador e interveniente em diversas tertúlias artísticas e intelectuais. Isto numa terra, Barreiro, fortemente vigiada e militarizada pelo regime, que impunha, a partir de certa hora da noite, uma espécie de recolher obrigatório, não permitindo às pessoas quaisquer tipo de reuniões nem encontros onde trocassem ideias.
Ameaçado e perseguido, Manuel Cabanas teve cortado o seu direito à obtenção de passaporte para o estrangeiro.