Mestre da Voz Rouca

Traços Biográficos

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MESTRE MANUEL CABANAS
O Homem e o Artista


Manuel dos Santos Cabanas, conhecido e tratado por Mestre Cabanas. Nasceu a 11 de Fevereiro de 1902, em Vila Nova de Cacela, concelho de Vila Real de Santo António e faleceu no dia 25 de Maio de 1995.

Foi preso diversas vezes pelas repressivas forças policiais do regime salazarista. Foi perseguido, humilhado e injustiçado como cidadão e como trabalhador ferroviário. Mas nunca vergou nem desistiu de lutar pelas liberdades democráticas, pelos direitos cívicos e contra as injustiças que marginalizam os mais desfavorecidos da sociedade. Desenvolveu uma importante actividade como dinamizador cultural, em especial no Barreiro, onde viveu muitos anos. Foi também um artista e extraordinário xilogravador, com uma notável e inovadora obra no campo do desenho e da gravura em madeira.

Manuel Cabanas, em 23 de Julho de 1985, foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, no grau de Comendador, pelo então Presidente da República, General Ramalho Eanes. Em 1991, foi agraciado pelo Presidente da República, Dr. Mário Soares, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

No final da vida, por escritura pública de doação, legou o seu património artístico à comunidade, criando o Museu Municipal de Vila Real de Santo António, que tem o seu nome.


«Sou um homem do povo e com o povo me identifico». Assim se definiu Mestre Cabanas. Dele disse Raul Rego, caracterizando este homem «esgalgado, enxuto de carnes, passada larga, todo ele esqueleto e olhos», e denotado lutador pela liberdade e pela democracia: «Onde estiver, o Manuel Cabanas fala, diz o que pensa, quem é e ao que aspira. Não há açaimo que o possa calar e rompe os ambientes mais densos. Como se força anímica tivesse de vir à superfície, exprimir-se, comunicar, aferir os seus sentimentos pelos dos outros, dar a sua solidariedade a quem dela precisa.»

Uma vida inteira a lutar pelos mais desfavorecidos e pobres
Palavras de Manuel Cabanas, aos oitenta anos: «Estive sempre ao serviço da colectividade, nomeadamente a favor dos humilhados e ofendidos, dos mais humildes – em especial dos mais pobres – daqueles que mais eu via sofrer. Sabia apenas que tinha uma missão a cumprir junto do meu semelhante. Desde muito jovem que entendo que o homem moderno não pertence a si mesmo. Tem de se dar aos outros. Este dar significa ajudá-los, a contribuir para dias melhores, a partilhar um pouco a sua felicidade».



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