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Mestre de Fotógrafos e Narrador de Amigos
Talvez se possa definir o Augusto Cabrita (no que existe nele de definível) como um ser humano onde se combinam, com uma
felicidade extremamente rara, a truculência, a generosidade e a arte do trabalho. Absorve a vida como se lhe fosse pouca - e depois distribui-a, caminheiro, pelas mãos dos outros...


Dinis Machado

Os Dizeres do Olhar
...Nas fotos de Augusto Cabrita, como nos filmes de Augusto Cabrita, não há espaços neutros, vazios, inertes. Está lá, sempre e sempre, essa maneira de olhar e de dizer as coisas que recusa o banimento da criatura humana, mesmo quando a criatura humana (aparentemente) não figura na foto ou no filme...

Baptista-Bastos

O Homem que Viveu para Além dos Sonhos

...Através da visão do Augusto Cabrita, nós começamos a compreender que, afinal, a maioria dos artistas não vai para além, mas, muito pelo contrário, fica bastante aquém da realidade - e por isso eu não hesito em considerar esse espantoso fotógrafo, que tive a dita de contar entre os meus melhores amigos, um revelador das verdades esquecidas, ignoradas e nem mesmo sonhadas.

A sua verdade transporta-nos para além dos sonhos.

António Vitorino d'Almeida

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Depoimentos
 

    Sombras a preto e branco

    Falar do passado é falar dos amigos, das experiências percorridas em conjunto, dos filmes feitos, filmados e sentidos, de imagens, ou já da sombra dessas imagens que no tempo vão ficando impressas ou imprecisas sombras?
    Recordo, cá estou eu a envelhecer, o Augusto Cabrita com uma precisão igual à do belo preto e branco do filme «Belarmino». Recordo aquele corpo a corpo permanente entre o Augusto e o Belarmino, uma objectiva mágica contra uns punhos de ouro. 0 Belarmino fazia como todos os boxers sombra, no seu treino do dia-a-dia, o Augusto registava-o a preto/branco, sem sombras, um combate directo, cruel igual à cidade que íamos desvendando, que eu ia percebendo lado a lado com o Augusto, o Fernando Lopes, o Baptista-Bastos, o Belarmino.
    Depois foi a experiência das «Ilhas Encantadas», o calor humano de uma relação sitiada na ilha de Porto Santo. As noites de música, o Augusto tocando para nos entusiasmar e manter «vivos».
    As fotografias do Augusto Cabrita feitas nas Ilhas Encantadas são imagens de um filme nunca feito, o filme testemunha da nossa juventude cheia de cinema, do prazer de fazer cinema, de estar à mesa a falar, a comer, a beber e tanto que nos divertíamos.
    As viagens ao Barreiro, ao estúdio do Augusto, deram-me os limites do seu talento para o cinema, limites geográficos. Não quis continuar a ser Director de Fotografia, não quis fazer mais filmes de fundo, ficou-se pelas suas imagens, pelos seus belos e pequenos filmes, pelo seu virtuosismo de operador, de escritor de imagens. Não quis continuar a combater, a fazer «sombra» com o cinema, chegou-lhe o Belarmino.
    Ficámos com água na boca, bebemos algumas cervejas, muitas, mas o gosto ficou. ­Como foram belos aqueles meses do Belarmino, e os outros que se seguiram. Um dia destes vamos encontrar-nos nos Restauradores, à tardinha junto do Eden, para conversar, talvez a nossa sombra fique lá impressa, para sempre, ficções.

    Fernando Matos Silva




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