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Mestre de Fotógrafos e Narrador de Amigos
Talvez se possa definir o Augusto Cabrita (no que existe nele de definível) como um ser humano onde se combinam, com uma
felicidade extremamente rara, a truculência, a generosidade e a arte do trabalho. Absorve a vida como se lhe fosse pouca - e depois distribui-a, caminheiro, pelas mãos dos outros...


Dinis Machado

Os Dizeres do Olhar
...Nas fotos de Augusto Cabrita, como nos filmes de Augusto Cabrita, não há espaços neutros, vazios, inertes. Está lá, sempre e sempre, essa maneira de olhar e de dizer as coisas que recusa o banimento da criatura humana, mesmo quando a criatura humana (aparentemente) não figura na foto ou no filme...

Baptista-Bastos

O Homem que Viveu para Além dos Sonhos

...Através da visão do Augusto Cabrita, nós começamos a compreender que, afinal, a maioria dos artistas não vai para além, mas, muito pelo contrário, fica bastante aquém da realidade - e por isso eu não hesito em considerar esse espantoso fotógrafo, que tive a dita de contar entre os meus melhores amigos, um revelador das verdades esquecidas, ignoradas e nem mesmo sonhadas.

A sua verdade transporta-nos para além dos sonhos.

António Vitorino d'Almeida

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Depoimentos
     



    Conheci o Augusto Cabrita quando da realização de «Belarmino», de Fernando Lopes. Eu era então um simples operador de câmara. 0 Cabrita é um daqueles homens que não necessita de qualquer elogio em relação à sua contribuição para a arte cinematográfica.
    Apercebi-me nessa altura de que o Augusto não se sentia muito à vontade encerrado num estúdio cinematográfico. Aquele mundo fechado do estúdio não era de modo algum o seu.
    Mas, logo que a sua câmara se soltou para o exterior, ele passou a ser o elemento renovador das forças velhas do nosso cinema, tendo-Ihe dado uma outra dimensão.
    Cabrita foi então um crítico, um intérprete da realidade aonde surgem os elementos humanos e culturais de um povo criados com perícia através do olhar da sua objectiva.
    Os seus enquadramentos fotográficos eram, e são, impressionantes evocações pictóricas, e não era necessário o seu nome aparecer no genérico para se saber de antemão quem tinha sido o seu autor.
    Mais habituado, como ele, a falar através das imagens, deixo um abraço amigo àquele que soube dignificar o nosso novo cinema.

    Manuel Costa e Silva
    Novembro de 1986





| António Homem Cardoso | António Vitorino d’Almeida | Baptista-Bastos | Correia da Fonseca |

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