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Mestre de Fotógrafos e Narrador de Amigos
Talvez se possa definir o Augusto Cabrita (no que existe nele de definível) como um ser humano onde se combinam, com uma
felicidade extremamente rara, a truculência, a generosidade e a arte do trabalho. Absorve a vida como se lhe fosse pouca - e depois distribui-a, caminheiro, pelas mãos dos outros...


Dinis Machado

Os Dizeres do Olhar
...Nas fotos de Augusto Cabrita, como nos filmes de Augusto Cabrita, não há espaços neutros, vazios, inertes. Está lá, sempre e sempre, essa maneira de olhar e de dizer as coisas que recusa o banimento da criatura humana, mesmo quando a criatura humana (aparentemente) não figura na foto ou no filme...

Baptista-Bastos

O Homem que Viveu para Além dos Sonhos

...Através da visão do Augusto Cabrita, nós começamos a compreender que, afinal, a maioria dos artistas não vai para além, mas, muito pelo contrário, fica bastante aquém da realidade - e por isso eu não hesito em considerar esse espantoso fotógrafo, que tive a dita de contar entre os meus melhores amigos, um revelador das verdades esquecidas, ignoradas e nem mesmo sonhadas.

A sua verdade transporta-nos para além dos sonhos.

António Vitorino d'Almeida

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Depoimentos
     


    Postal para Augusto Cabrita

    Volta depressa,
    caçador da luz!

    Volta para fixar
    no barro claridade
    o fruir de uma altura
    a expressão de uma asa.

    Volta depressa, Augusto.
    Sem ti é tão escura
    a nossa casa...

    Mário Castrim
    in «Diário de Lisboa»
    Setembro 1985




    Augusto Cabrita

    Vieste. Vieste nas palavras quentes de Carlos Cruz («a marca do amor que tem às coisas e às pessoas») e na «apresentação», mais objectiva, mas não menos calorosa, de João Soares Louro («ele alimentou a nossa memória social») e nas fotografias que sabes tirar, que só tu sabes tirar; e onde a vida nunca está em pose, porque tu mesmo nunca estás em pose, lição que aprendeste do fogo, e vieste com as tuas palavras em turbilhão, como se quisesses recuperar todos os abraços durante imenso (imenso!) tempo adiados, vieste com as tuas imagens que são a forma plástica da música (ah, como Bach havia de gostar de te conhecer!), vieste com a memória das alegrias passadas que são o melhor capital dos corações generosos, vieste, não apenas contigo, mas com a presença de tantos amigos, vieste com a alegria de viver que é a única forma de estar vivo e de agradecer à vida. Vieste. Mais uma vez (como tantas, como tantas...) para dar mais luz à televisão. Para a tornar mais humana, mais verdadeira e mais digna.
    E agora não penses que vais continuar em riso e oração. Põe-te mas é a trabalhar que a televisão portuguesa precisa cada vez mais de ti. A televisão portuguesa, isto é, nós.

    Mário Castrim
    in «Diário de Lisboa»




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