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Mestre de Fotógrafos e Narrador de Amigos Talvez se possa definir o Augusto Cabrita (no que existe nele de definível) como um ser humano onde se combinam, com uma
felicidade extremamente rara, a truculência, a generosidade e a arte do trabalho. Absorve a vida como se lhe fosse pouca - e depois distribui-a, caminheiro, pelas mãos dos outros...
Dinis Machado
 
Os Dizeres do Olhar
...Nas fotos de Augusto Cabrita, como nos filmes de Augusto Cabrita, não há espaços neutros, vazios, inertes. Está lá, sempre e sempre, essa maneira de olhar e de dizer as coisas que recusa o banimento da criatura humana, mesmo quando a criatura humana (aparentemente) não figura na foto ou no filme...
Baptista-Bastos
O Homem que Viveu para Além dos Sonhos
...Através da visão do Augusto Cabrita, nós começamos a compreender que, afinal, a maioria dos artistas não vai para além, mas, muito pelo contrário, fica bastante aquém da realidade - e por isso eu não hesito em considerar esse espantoso fotógrafo, que tive a dita de contar entre os meus melhores amigos, um revelador das verdades esquecidas, ignoradas e nem mesmo sonhadas.
A sua verdade transporta-nos para além dos sonhos.
António Vitorino d'Almeida

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OS DIZERES DO OLHAR
Augusto Cabrita é uma maneira de olhar. É, também, uma maneira de dizer. Há, pois, uma maneira de olhar e uma maneira de dizer chamadas Augusto Cabrita. É o toque, o tom, o estilo, a dedada pessoal e intransmissível deste artista singular, que «diz» os rostos (por exemplo: os rostos de Belarmino e de Amália Rodrigues, Ary dos Santos, Lopes-Graça, José Gomes Ferreira) como se nos rostos houvesse, invisíveis, todas as vitórias e todas as derrotas de uma vida: a questão é descobri-las. Deste artista singular que «olha» o homem, o rio, o voejar grotesco das gaivotas, as tarefas das mulheres, os hangares, os armazéns, os movimentos inseguros das crianças, os cirros das nuvens, os vapores, como uma teoria de conjunto.
Nas fotos de Augusto Cabrita, como nos filmes de Augusto Cabrita, não há espaços neutros, vazios, inertes. Está lá, sempre e sempre, essa maneira de olhar e de dizer as coisas que recusa o banimento da criatura humana, mesmo quando a criatura humana (aparentemente) não figura na foto ou no filme. Esse cuidado pelo «conjunto», essa norma de não separar uma coisa da outra, essa maneira de dizer humanidade, homem, humanismo, humano - esse olhar, direi: musical, isso: esse olhar musical que Augusto Cabrita lança, docemente, sobre tudo o que é humano, atribuem à sua arte uma sedução e um fascínio incomuns.
A fotografia, em Augusto Cabrita, não é um objecto sem direcção nem sentido. E a câmara (seja ela fotográfica ou cinematográfica), nas suas mãos, toma partido. Quero dizer: não se limita à fria objectividade da câmara-olho, tão cara a Dziga Vertov; nem à decomposição laboratorial, tão cara a Henri Cartier-Bresson.
Augusto Cabrita, a câmara de Augusto Cabrita parece edificada em «húmidas ternuras» (Raul Brandão dixit): um olhar, um dizer amor e um dizer olhar como se tudo pudesse caber no instante supremo em que dispara a máquina.
Cabrita não coisifica nem deifica o humano. Cabrita, através da sua arte seca, expungida, magistral (vejam-se as fotografias que ele «olhou» e «disse» para o romance de Carlos de Oliveira, «Uma Abelha na Chuva/Edições Dom Quixote), vai-nos sugerindo, através de mil pistas e de mil indícios, que só os bichos e os deuses podem viver sós. 0 homem, esse, nunca.
Baptista-Bastos
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