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Mestre de Fotógrafos e Narrador de Amigos
Talvez se possa definir o Augusto Cabrita (no que existe nele de definível) como um ser humano onde se combinam, com uma
felicidade extremamente rara, a truculência, a generosidade e a arte do trabalho. Absorve a vida como se lhe fosse pouca - e depois distribui-a, caminheiro, pelas mãos dos outros...


Dinis Machado

Os Dizeres do Olhar
...Nas fotos de Augusto Cabrita, como nos filmes de Augusto Cabrita, não há espaços neutros, vazios, inertes. Está lá, sempre e sempre, essa maneira de olhar e de dizer as coisas que recusa o banimento da criatura humana, mesmo quando a criatura humana (aparentemente) não figura na foto ou no filme...

Baptista-Bastos

O Homem que Viveu para Além dos Sonhos

...Através da visão do Augusto Cabrita, nós começamos a compreender que, afinal, a maioria dos artistas não vai para além, mas, muito pelo contrário, fica bastante aquém da realidade - e por isso eu não hesito em considerar esse espantoso fotógrafo, que tive a dita de contar entre os meus melhores amigos, um revelador das verdades esquecidas, ignoradas e nem mesmo sonhadas.

A sua verdade transporta-nos para além dos sonhos.

António Vitorino d'Almeida

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Biografia

    AUGUSTO CABRITA
    Fotógrafo e cineasta

Augusto António do Carmo Cabrita

Nasceu no Barreiro a 16 de Março de 1923 e “a sua grandeza como homem e artista fundem-se, nesta terra, com a familiaridade das palavras e dos gestos quotidianamente trocados, expressão de uma ternura e atenção constantes”.
Adoeceu gravemente em 1985, com uma infecção bacteriana anaeróbia. Recomeçou a trabalhar em 1988, e veio a falecer em Lisboa (Hospital da CUF) a 01 de Fevereiro de 1993. Foi no Barreiro que fez os seus estudos primários e secundários, e aí se iniciou em desportos como o remo e a natação (Clube Naval). Aos 13 anos começou o seu interesse pela fotografia. Teve o seu primeiro emprego no escritório da Grande Garagem do Sul, pertencente à família.

Autodidacta em fotografia, começou também a tocar de ouvido, piano e um pouco mais tarde acordeão e celesta. A música, tal como a fotografia, era uma das suas grandes paixões. A frequência dos estúdios e salas da Valentim de Carvalho em Lisboa permitiu-lhe praticar intensamente piano, e estabelecer fortes relações de amizade com os directores da empresa. No final dos anos 40 marcou presença em exposições e concursos nacionais e internacionais de fotografia, onde ganhou várias altas distinções como o Prémio Rizzoli (fotografia publicitária), Itália. Em 1956 inaugurou na Rua Dr. Eusébio Leão (Barreiro) um estúdio de fotografia. Nesse mesmo ano casou com D. Maria Manuela Peixinho de quem teve três filhos (Maria Manuela, Augusto António e Luisa Maria).
Acompanhou ao piano as cançonetistas Lina Maria e a sua conterrânea Maria de Lurdes Resende. Fez capas para discos de Amália Rodrigues, Carlos Paredes, Luís de Gois, Maria Barroso (poemas), Simone de Oliveira, etc.

Fotógrafo e cineasta, foi delegado da Associação Internacional dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos, membro de júris nacionais e internacionais, fotojornalista do jornal O Século e das revistas Eva, Flama, Século Ilustrado e em revistas da especialidade um pouco por todo o mundo.
No campo editorial lançou vários títulos sobre escultura, pintura, fotografia e teatro. Foram, porém, os trabalhos para a TV e para o Cinema que deram firme personalidade à sua carreira, “à máquina fotográfica, que sempre o acompanhava onde quer que estivesse, juntou-se pois a câmara”. A sua lista de curtas metragens e de reportagens para a RTP ultrapassa as 650. Foi operador, director de fotografia, realizador e até produtor, porém sem jamais abdicar do que mais gostava de ser - um repórter, um olheiro dos acontecimentos, um historiador da actualidade.




"A fotografia é um olhar natural" - disse um dia o Mestre Augusto Cabrita. Poderia repeti-lo sempre, porque esta era a verdade do seu trabalho. A sua verdade.

     
   
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